ondeeuqueroestar

Moscou em imagens

by Denise Rogenski

Onde eu quero estar ?

by Denise Rogenski

A escolha do nome do blog não foi aleatória, nos identificamos com a frase. Repetimos constantemente que todos, os que se dizem humanos, deveriam fazer essa reflexão em suas vidas. Estou onde realmente gostaria de estar?  Fazendo o que gostaria de fazer? Utilizando minhas prerrogativas de liberdade e inteligência plenamente?

É claro que a resposta não é óbvia. E muita vezes nos vemos em situações  conflitantes, sem falar das muitas vezes em que a necessidade fala mais alto do que a escolha sem mais.

Hoje é o último dia na nossa Ásia. Digo nossa Ásia, porque o que vimos aqui nos pertence de maneira especial. Lamentamos não termos ainda a China ou Índia, mas temos a Malásia, Cingapura, Tailândia, Camboja, Laos e Vietnam.

E hoje, onde eu quero estar, não é fácil de responder. Quando abri os olhos pela manhã e lembrei de que é o último dia em que os cheiros  me surpreendem, que meus olhos mal acreditam no que veem, que comer é sempre uma aventura, senti que meus pés não querem se mover.

A complexidade da decisão de estar e não estar vai além do cérebro, se estende pelo corpo. Assim, racionalmente sei que devo ir, que é tempo, que devo voltar. Mas, meus pés querem ficar, meu corpo adere à inércia e protesta, faz greve. Sinto uma leve dor no coração, um frio na barriga e olhos que insistem em umedecer constantemente.

Amanhã é nosso vôo. Seguimos de Hanoi para Moscou, é claro que o mistério continua, mas a nossa Ásia, fica para trás. Não temos mais a Tailândia, linda, intensa, preenchendo cada espaço de nossas almas com suas cores, comidas, temperos.

Não teremos mais conflitos culturais tão deliciosos de serem vividos, como aprender a entregar e a receber dinheiro com as duas mãos e nunca, nunca, com a mão esquerda.  E pensar que isso não faz o menor sentido em tantos lugares.

Prometi a mim mesma tentar não bloquear sentimentos e também não criar monstros. Repeti como um mantra que vôos sempre vão conectar São Paulo a Bangkok e que posso voltar.

Hoje não posso responder onde eu quero estar, mas ao menos posso dizer que amei estar em cada um dos lugares que estive nos últimos três meses. Que Buda continue guiando cada povo seu. E acima de tudo, muito obrigada a cada um que passou por nossos caminhos, nos ajudando, tentando nos entender, nos estendendo a mão e até nos repreendendo por comportamentos estranhos.

Obrigada a cada um dos dezoito leitores desse blog pelas mensagens carinhosas.

Obrigada a essa parte do mundo, tão nossa.

Seguiremos postando textos já produzidos sobre a nossa viagem. E nosso itinerário segue para Moscou, Praga, Paris e Barcelona. Aguardem.


Ha Long Bay (Vietnã)

by Edson Carvalho

Patrimônio mundial da Unesco, Ha Long Bay é destino comum entre os viajantes no Vietnã. Está situada na província de Quang Ninh, a nordeste do país. Em relação à beleza natural, não há como traduzir em palavras, o lugar impressiona. São milhares de ilhas de pedra (calcário) de todos os tamanhos e das mais diversas formas. Em meio a tudo isso, vilarejos flutuantes compõem a paisagem. São habitados por pescadores que hoje dividem a tarefa da pesca com a recepção dos turistas. Vivem em casas flutuantes com pequenos jardins, hortas e animais de estimação, como o cachorro. No Vietnã é comum comer carne de cachorro, portanto não sei se estão ali como um amigo ou como uma promessa de jantar.

Compramos um tour que incluía dois dias e uma noite no barco. Infelizmente essa viagem nos deu motivos para não querer voltar. Obviamente não podemos generalizar, prefiro acreditar que foi falta de sorte na escolha da agência que organizou nossa viagem, pois ouvimos bons relatos de outros viajantes que foram para Ha Long Bay.

Tudo começou bem, saímos de Ha Noi e em três horas estávamos no barco, prontos para o almoço com outros treze passageiros. A comida não era excelente, mas comemos felizes na companhia dos portugueses Tânia e Tiago. Como é bom poder falar português com outros viajantes depois de três meses nos comunicando do jeito que dava em inglês, francês e espanhol. Descobrir afinidades e novamente fazer juras de reencontro em um futuro próximo.

Depois do jantar fomos visitar a gruta Thien Cung. Uma linda caverna localizada em uma das montanhas de pedra que hoje é tão explorada turisticamente que muitas partes parecem de mentira, construídas pelo homem. Instalaram luzes coloridas direcionando para algumas estalactites e dando um ar de boate brega, horrível. O guia, na tentativa frustrada de ser engraçado, acabava por fazer brincadeiras de mau gosto com qualquer coisa que via.

A noite foi surreal. Toda nossa tripulação ficou bêbada em comemoração ao aniversário de um deles e desrespeitosamente jogavam garrafas, latinhas e todo lixo direto no mar, assim como os restos de comida com óleo. Aquilo foi agressivo, não podíamos acreditar e qualquer coisa que falávamos era em vão. E isso acontece quase que diariamente destruindo um paraíso da qual eles próprios se beneficiam com o turismo. Não dá pra entender.

Tivemos bons momentos, é claro. Nadamos, fizemos caiaque, e conhecemos muita gente interessante. Mas a agressão à natureza foi mais forte e marcou.

Tenho esperança de que este seja um fato isolado e de que as coisas mudem, que as pessoas se conscientizem e promovam um turismo sustentável onde possamos desfrutar hoje e sempre. Que a natureza seja vista como parte da gente e não como um subproduto para se fazer dinheiro.

Assim espero!

Sapa e Bac Ha

by Edson Carvalho

De Hue partimos em Sleeping Bus para Ha Noi, a capital do Vietnã. Apesar de Ha Noi ser nosso último destino, ainda restavam dois tours, sendo um para Sapa e outro para Ha Long Bay, ambos saindo da capital. Optamos por Sapa como o primeiro.

Pelo cansaço de três meses de viagem acumulados, decidimos comprar um pacote fechado que incluía transporte, hospedagem, alimentação e passeios locais. Não considero esses pacotes a melhor opção, mas a essa altura poupamos esforços e desfrutamos o melhor da viagem, sem preocupações.

Fomos de Sleeping Train, a melhor opção de transporte para essa viagem. Foi uma noite agitada, com poucas horas de sono e alguma emoção, mas que deixarei para contar num próximo post.

Chegamos em Lao Cai onde nos esperava uma van que nos levou para Sapa. Por uma hora e meia subimos montanhas em curvas infinitas. Muitos passam mal, não aguentam tanto movimento. A gente tem se saído bem.

Sapa, ou Sa Pa, está localizada nas altas montanhas do noroeste do Vietnã, quase fronteira com a China, a 1.600 metros de altitude. O objetivo dessa viagem era visitar os campos de arroz e as minorias étnicas que lá vivem, além de passar uma tarde no Bac Ha Market, famoso mercado popular aberto apenas aos domingos.

O primeiro dia foi ótimo. Andamos cerca de 12km pelas montanhas em meio aos arrozais guiados pelas mulheres da etnia Hmong Black (Hmoob Dub). Vestem roupas escuras de fabricação artesanal e possuem longos cabelos pretos que são cuidadosamente amarrados em volta da cabeça, presos por uma presilha e adornados com um pente.

Hoje grande parte delas trabalha como guias de turismo, enquanto outras vendem artesanato. As paisagens são surreais. As imensas lavouras de arroz distribuídas matematicamente pelas montanhas formam centenas de terraços um sobre os outros. Uma gigantesca escada verde com degraus plenos de arroz.

Passamos a noite em uma casa de Hmongs, preparada para receber turistas (homestay). Fizemos amigos espanhóis, coreanos, holandeses e singapurianos nesse dia.

Na manhã seguinte voltamos para o hotel de moto taxi. Uma aventura à parte. A “minha” moto era velha, não tinha muita força nas subidas e derrapava nas pedras do caminho. Passamos à beira de precipícios, quase batemos em um caminhão e pra piorar meu piloto não sabia voltar para o hotel. Nisso a Dê já estava longe, teve mais sorte que eu. O taxista olhava pra mim apontando três direções e eu imagino que me perguntava para onde ir, afinal ele não dizia uma palavra em inglês. Eu não fazia ideia para qual caminho seguir e dizia pra ele: “Rapaz, eu não sei” (em português mesmo). Depois de algumas tentativas encontramos o hotel.

Nesse mesmo dia fomos visitar o mercado de Bac Ha e conhecer as mulheres da etnia Hmong Flowers (Hmong Lenh). Elas vivem nas montanhas, vendem artesanatos e são reconhecidas pelos coloridos vestidos e lenços na cabeça.

No último dia, caminhamos pelo vilarejo Cat Cat, em um trajeto cheio de pequenas lojas e belas paisagens. À noite voltamos para Ha Noi onde passaremos os últimos dias antes de regressar a Europa.

Confira as fotos no post abaixo ou clique aqui.

Sapa em imagens (Vietnã)

by Edson Carvalho

Hue

by Edson Carvalho

Hue foi nosso quarto destino no Vietnã, logo depois de Hoi An. Para chegar até a cidade pegamos um ônibus e seguimos por três horas. Indicado pelo nosso amigo coreano, fomos direto para o hotel Why Not? que além do bom preço, oferecia uma cerveja grátis por cada noite de hospedagem no hotel.

Na cidade nos reencontramos com Choe e David, os coreanos que conhecemos em Siem Reap, no Camboja. Infelizmente Choe estava gripado e com febre, teve que repousar em todo tempo que ficamos por lá, mas David nos fez companhia.

A cidade abriga monumentos históricos protegidos pela UNESCO, como é o caso da Citadela, uma cidade medieval envolta por muros e situada ao lado do Rio Perfume. Sede do antigo império de Nguyễn, apenas imperadores, concubinas e pessoas próximas do império tinha acesso entre muros. Aqueles que ousassem entrar sem permissão sofriam a pena de morte. Pouco restou da cidade, sendo consumida pelo tempo e destruída pelas guerras.

Visitamos também a tumba de Minh Mang, segundo imperador da Dinastia Nguyễn. As tumbas dedicadas a estes imperadores são grandes construções compostas por imagens, estátuas de guerreiros e templos budistas. Não se sabe muito bem onde o corpo está localizado, sabe-se apenas que foi naquela região.

Passamos pela Thien Mu Pagoda, um templo histórico com sete andares e em formato octogonal, considerado o mais alto do Vietnã.

Os chapéus em forma de cone, típicos do Vietnã são fabricados em Hue. Aproveitei para comprar um, mas na correria do dia seguinte, acabei me esquecendo dele no quarto do hotel. Sobrou apenas umas fotos da Dê com ele.

Foram três rápidos e intensos dias em Hue, bem aproveitados onde nos despedimos de Choe e David desejando boa viagem e um até logo, seguidos de um apertado abraço no melhor estilo brasileiro.

Um dia em Hoi An

by Edson Carvalho

Hoi An existe?

by Denise Rogenski

Chegamos em Hoi An a sete dias atrás sem grandes expectativas. Nha Trang com sua praia urbana não nos encantou, imaginando mais do mesmo, não demos muito valor às várias recomendações que recebemos sobre Hoi An.

Como sempre acontece com os lugares pelos quais nos apaixonamos, foi aos poucos. No primeiro dia escolhemos mal nossa hospedagem, assim não tivemos o descanso merecido depois das nove horas de trem viajadas.

Foi somente no segundo dia, no nosso primeiro passeio pela cidade que sentimos que aqui iríamos ficar. Quando a noite chegou, aí foi como aquelas paixões que chegam sem avisar e arrebatam o coração.

Hoi An é pequena, pode-se caminhar a pé por toda a cidade e possui uma região conhecida como Old Town, onde estão concentradas as antigas casas da cidade, uma mistura de arquitetura japonesa, chinesa e francesa.

As ruas são pequenas e levam até o rio que é utilizado pelos moradores locais cotidianamente no transporte de produtos frescos e peixes. À noite poucas luzes iluminam a cidade, revela-se então a beleza das luminàrias feitas à mão e velas colocadas dentro de suportes de papel que imitam a flor de lótus. Essas velas são oferecidas por artesãs para que sejam colocadas no rio, trazendo boa sorte.

Ainda na Old Town, restaurantes, boutiques e confecções de roupas e sapatos se esmeram na decoração e atendimento. Pois sim, aqui em Hoi An as roupas são feitas sob medida e ficam prontas em um dia.

A  comida vietnamita é primorosa. Com grande influência chinesa, Hoi An é considerada  um centro gastronômico do país. A culinária vietnamita revela  seus encantos em pratos como o Fried Wonton e White Rose  com sabores sublimes.

E tem praia! Durante três dias nossa rotina foi levantar bem cedo, alugar uma bicicleta, cruzar campos de arroz e chegar em uma praia de coqueiros.

Ah, aqui gatos e cachorros são amigos e uma senhora de 85 anos vende artesanato na praia. E nos últimos dias já nos  sentávamos com amigos como a Lan, em frente à sua loja para conversar e ver a vida passar.

Você que lê estas humildes palavras deve estar se perguntando…esse lugar existe? Pois saiba que nós também temos feitos a mesma pergunta todos os dias.

Gooooooood Morning Vietnam

by Edson Carvalho

Sempre tive uma vontade louca de conhecer Saigon, mas nunca soube o verdadeiro motivo. Talvez foram as sete vezes em que assisti Apocalypse Now e por sete vezes ouvi o Capitão Willard (Martin Sheen) dizer: “Saigon, merda…ainda estou em Saigon”.  E essa ofensiva frase gerou uma curiosidade dentro de mim, um efeito contrário que nos levou para lá.

Ho Chi Minh, como é conhecida atualmente, está situada no sul do país e sustenta o papel capital econômica e de maior cidade do Vietnã abrigando sete milhões de habitantes.

Chegamos por volta das 16h e a primeira coisa que nos chamou a atenção foi o imenso tráfego de motocicletas cruzando as ruas por todos os lados. Até agora não consigo entender como alguém consegue dirigir em Saigon. Se para os carros e motos é complicado, imagine para o pedestre. O conselho dos vietnamitas é: “Feche os olhos, reze para Buda e atravesse.”

Eu particularmente gostei de Saigon, diferente da maioria dos viajantes com quem conversamos. Foram quatro dias passeando, desbravando os grandes mercados, visitando museus e conhecendo a história desse povo que lutou bravamente em uma guerra covarde e sem sentido.

Apesar do caos, a cidade é organizada, ainda que isso pareça contraditório. Os parques são verdes, as ruas são limpas e a arquitetura se divide entre o clássico oriental e a herança colonial francesa.

Visitamos a Catedral Notre Dame, o Museu da Guerra, os mercados Cholon e Ben Thanh, o prédio dos correios desenhado por Gustavo Eiffel, e assistimos a uma apresentação do Water Puppet Show (show de bonecos na água), uma expressão artística milenar emocionante, na qual a história do país e os hábitos culturais de seu povo são mostradas de forma singular.

Iniciamos também nossa longa jornada pela culinária vietnamita, que excluindo a infelicidade do hábito de comer cachorro, até agora nos fez boas surpresas, como a Pho, sopa de noodles com carne, deliciosa.

De Saigon seguimos para Nha Trang, nossa primeira praia no Vietnã. Fomos embora satisfeitos e com uma ponta de saudade. No lugar do Capitão Willard eu diria: “Saigon, maravilha…ainda estou em Saigon”.

Phnom Penh

by Edson Carvalho

Estamos em Saigon, Vietnã, mas aqui no blog vamos continuar postando conforme os lugares que passamos, por isso o próximo texto será sobre Phnom Penh.

Nos despedimos do Camboja, assim como nos despedimos do Laos, com gosto de quero mais. Foram apenas sete dias divididos entre Siem Reap e a capital Phnom Penh, uma verdadeira injustiça.

Na capital foram duas noites e um dia, o bastante para ver de perto a pobreza urbana generalizada e entender o sofrimento desse povo que viveu horrores nas mãos do ditador Pol Pot e seu covarde exército do Khmer Rouge (Khmer Vermelho).

Na manhã de segunda-feira (21/05), negociamos um valor com um Tuk Tuk para nos levar em alguns lugares na cidade durante todo o dia. A Dê é a negociadora da família, consegue sempre os melhores valores.

A caminho do primeiro ponto de visita presenciamos uma passeata formada por jovens na faixa dos 16 anos. Perguntamos ao nosso motorista por qual motivo àqueles estudantes protestavam. Ele nos respondeu que eram jovens trabalhadores de uma fábrica têxtil que exigiam dois reais a mais no salário para alimentação. O Camboja mostra sua cara.

Logo chegamos ao Killing Fields, o mais importante campo de concentração do Khmer Vermelho, onde milhares de cambojanos foram cruelmente assassinados e forçados a trabalhar como animais. Todos eram torturados, e aqueles que não eram mortos, geralmente morriam de fome ou doentes. A Dê preferiu não entrar.

Eu também prefiro não entrar muito em detalhes. Dias depois ainda estou um pouco chocado e traumatizado com as histórias do lugar, as imagens ainda vagueiam em minha mente. É realmente triste e doentio o ponto em que esse homem chegou, se é que podemos classificá-lo como humano. O Khmer Rouge foi uma terrível ditadura mascarada em uma tentativa de reforma agrária comunista onde todos, sem exceção, foram levados para o campo e obrigados ao trabalho forçado. Estima-se que um quinto da população foi morta, cerca de 2,5 milhões de cambojanos, sendo eles homens, mulheres e crianças.

Agora, o que eu ainda não disse é que o regime durou apenas 4 anos, de 1975 a 1979. Isso dá uma média de 1.713 mortes por dia. Só nesse campo de concentração assassinavam em média 300 cambojanos diariamente. Um dos lemas de Pol Pot era “melhor errar e matar um cambojano inocente do que errar e deixar vivo um cambojano inimigo.” Pra piorar e finalizar essa história tão recente, o ditador cambojano que atentou contra seu próprio povo nunca foi levado a juízo, teve uma vida boa e morreu aos 73 anos podendo desfrutar da sua família e de seus netos.

O lugar é afastado da cidade, em um lugar tranquilo, cheio de grandes árvores, passarinhos cantando e um bonito lago. Poderia ser o paraíso, mas…

De lá voltamos para a cidade e seguimos para o Russian Market, mercado local e na sequência visitamos o Museu Nacional abrigado em uma linda casa com imagens de deuses hindus e Budas.

A cidade, aos nossos olhos, pareceu feia, abandonada. Muita sujeira, crianças no lixo e desorganizada. Mas tudo isso dá pra entender, o país está se reerguendo agora. Depois de serem massacrados com a ditadura essa é a primeira geração de um povo que tenta se organizar.

Nossa amiga Nair, com muita sabedoria, disse uma vez que a pobreza rural é completamente diferente da pobreza urbana, mais digna, não menos sofrida. Talvez seja exatamente isso que, a nosso ver, diferencie o Laos do Camboja. O Laos é um país essencialmente rural e não vimos por lá, a pobreza cruel que vimos aqui.

No fim do dia fomos caminhar à beira do rio Tonlé Sap, onde tudo é bem limpo e organizado com muitos bares e restaurantes, todos feitos para o turismo. Assim também é Phnom Pehn, grandes diferenças sociais convivendo juntas em pequenos espaços.

E o pior é que isso nos pareceu bastante familiar.